Se as ferramentas de máquinas de dobragem de tubos não forem devidamente mantidas, a precisão fica descartada.

Já vi isso acontecer com muita frequência na oficina: operadores chegam reclamando que a máquina de dobrar tubos é imprecisa, que o ângulo é inconsistente ou que surgiram arranhões no tubo. Após passarem muito tempo ajustando o programa e alterando parâmetros, descobre-se que o problema não está de forma alguma no equipamento, mas sim nas ferramentas, que não estão sendo devidamente mantidas.
As "ferramentas" de uma máquina de dobrar tubos consistem principalmente em matrizes de dobragem, matrizes de fixação, mandris e matrizes antirrugas. Essas peças entram em contato direto com o material do tubo; sua geometria determina a forma do produto dobrado.
Primeiro, vamos falar sobre as matrizes. Os sulcos nas matrizes de dobramento são curvos e, com o tempo, a superfície desgasta-se e torna-se áspera. Nesse momento, o tubo não se encaixa firmemente no sulco da matriz e escorrega durante a dobragem. Quais são as consequências? O seu programa pode estar configurado para 90 graus, mas a dobragem real pode ser de apenas 87 ou 93 graus, e cada uma delas será diferente. Já vi fábricas utilizarem a mesma matriz por três anos sem substituí-la, resultando em tubos com ângulos desviados em até 5 graus. Durante a montagem, os furos não se alinham e precisam ser forçados com marteladas.
O mesmo se aplica às matrizes de fixação. Sua função é segurar firmemente o tubo e impedir que ele deslize. Se a superfície de fixação estiver desgastada e lisa ou apresentar manchas de óleo, ela não exercerá a fixação adequada, fazendo com que o tubo recue durante a curvatura, resultando inevitavelmente em um ângulo incorreto. Muitas pessoas não percebem isso e acham que o problema está no cálculo incorreto da recuperação elástica, aumentando, assim, continuamente o ângulo de curvatura — sem, contudo, obter sucesso. Na verdade, substituir a matriz de fixação ou limpar sua superfície resolve o problema.
Vamos falar sobre o mandril. Muitas pessoas ignoram isso. O mandril é inserido no tubo para suportar a parede interna e evitar o colapso durante a curvatura. Cada junta do mandril com extremidade esférica precisa girar livremente; se travar, a parede interna do tubo será arranhada e, em casos graves, rasgada. Se a haste do mandril estiver entortada ou arranhada, ela danificará a parede interna do tubo toda vez que for retirada, causando um aumento acentuado na taxa de refugo. Recomendo verificar a extensão do mandril sempre que você trocar para uma espessura diferente de parede do tubo. Se a extensão for insuficiente, o ponto de curvatura não será devidamente suportado e o tubo se achatará; se for excessiva, o mandril pressionará contra a parede interna do tubo, causando arranhões. Essa posição precisa ser ajustada com precisão de meio milímetro, não apenas de forma aproximada.

A folga na matriz anti-rugas também é um problema. O molde anti-rugas é fixado ao molde de dobramento e é responsável por pressionar o interior do tubo para evitar rugas. Se a folga for excessivamente grande, o material será comprimido para dentro, resultando em rugas; se a folga for muito pequena, ocorrerá abrasão na superfície do tubo, deixando arranhões. Essa folga deve ser ajustada com uma chave de folgas ou por sensação tátil, e, após o ajuste, deve-se dobrar um tubo para verificar o efeito. Muitas pessoas instalam-no e, em seguida, ignoram-no, não realizando sequer o ajuste ao mudarem para tubos com espessuras de parede diferentes, o que explica, naturalmente, a ocorrência de problemas.
Por fim, vamos falar sobre lubrificação. Já vi pessoas usarem óleo para máquinas, até mesmo óleo para máquinas usado, para lubrificar matrizes, achando que qualquer óleo serve. Este é um grande erro. O óleo especializado para dobramento de tubos contém aditivos de alta pressão, capazes de formar uma película oleosa sob alta pressão, protegendo assim as superfícies da matriz e do tubo. O óleo comum para máquinas é expulso sob pressão, levando ao contato direto metal-metal, aumento da temperatura por atrito, deterioração rápida da superfície da matriz e marcas de queimadura na superfície do tubo. Nesse ponto, até a melhor matriz já estará irreparavelmente danificada.
Portanto, com base na minha experiência: elabore uma lista de verificação simples de ferramentas e, antes de iniciar a máquina a cada dia, verifique se há rugosidade na superfície da matriz, se as juntas do mandril apresentam flexibilidade, se a folga do matriz anti-rugas está precisa e se a lubrificação é suficiente. Desmonte e limpe completamente a matriz semanalmente, substituindo todas as peças que necessitem de reposição; não economize em peças de reposição.

Uma máquina de dobrar tubos custa centenas de milhares, enquanto um conjunto de moldes custa apenas alguns milhares. Se os moldes não forem devidamente mantidos, resultando em um grande volume de produtos defeituosos e atrasos no projeto, isso representa uma perda considerável. A manutenção adequada das ferramentas garante precisão consistente.






































